10 coisas imperdíveis para fazer em Bruxelas

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Bruxelas é daquelas capitais europeias que surpreendem justamente por não tentar impressionar a qualquer custo. Se você está montando o seu roteiro pela Europa, já vale guardar estas 10 dicas do que fazer em Bruxelas: diferente do glamour imponente de Paris ou da agitação frenética de Londres, a capital da Bélgica prefere conquistar você aos poucos. É o cheiro indescritível de waffle assando na esquina, a arquitetura grandiosa que se revela no meio de ruelas charmosas e um clima gostoso de cidade que sabe aproveitar a vida sem correria.

Por ser o coração político da União Europeia, muita gente acha que Bruxelas é uma cidade estritamente burocrática ou fria. Grande engano. Basta caminhar dez minutos pelo seu centro histórico para perceber que o tom por lá é outro: é uma cidade vibrante, leve, com uma mistura fascinante de história secular, cultura pop, arte urbana e uma gastronomia que parece criada sob medida para deixar qualquer viagem mais memorável.

Se você está planejando sua primeira viagem para lá e quer saber por onde começar a desbravar esse destino encantador, preparei uma lista com 10 dicas essenciais do que ver e fazer na cidade. Pegue seu calçado mais confortável, abra a mente (e o apetite!) e venha passear por esses destaques imperdíveis.

1. Passear sem pressa pelo centro histórico e se deslumbrar na Grand-Place

Se existe um ponto de partida obrigatório para começar a explorar Bruxelas, esse lugar é a Grand-Place (ou Grote Markt, em flamengo). Considerada por muitos uma das praças mais bonitas de todo o mundo — e declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO —, ela é o verdadeiro coração pulsante da cidade.

Grand Place em Bruxelas, umas das mais lindas praças sda Europa

O charme da Grand-Place reside nos detalhes de sua arquitetura. Ela é cercada pelas antigas Casas dos Guildas (as corporações de ofício do século XVII), pelo majestoso Hotel de Ville (a Prefeitura, com sua torre gótica impressionante que domina o céu) e pela Casa do Rei. Todas as fachadas são ricamente ornamentadas, cheias de detalhes em folha de ouro que reluzem quando o sol bate ou quando as luzes noturnas se acendem.

O segredo aqui é não ter pressa. Chegue à praça por uma das ruelas estreitas que deságuam nela para sentir o impacto da revelação. Sente-se em um dos degraus, aprecie o movimento das pessoas, observe os detalhes esculpidos em cada prédio e faça registros sem pressa. Se puder, volte também ao anoitecer: a iluminação da praça transforma completamente o cenário, criando uma atmosfera romântica e cinematográfica. Fizemos isso e vimos uma praça bem iluminada, muita gente passando e inclusive em umas das noites, estava acontecendo a colação de grau de uma universidade.

2. Percorrer a majestosa Galeria Saint-Hubert (Galerie Royales Saint-Hubert)

A poucos passos da Grand-Place, você encontrará um dos complexos cobertos mais elegantes e históricos da Europa: a Galerie Royales Saint-Hubert. Inaugurada em 1847, essa passagem coberta com teto de vidro e estrutura de ferro fundido antecedeu até mesmo as famosas galerias de Milão e Paris, mantendo até hoje a sofisticação da Belle Époque.

Dividida em três seções principais — a Galeria do Rei, a Galeria da Rainha e a Galeria dos Príncipes —, caminhar por suas alas é como fazer uma viagem no tempo. O teto de vidro permite a entrada de uma iluminação natural belíssima, perfeita para passear com calma em qualquer época do ano, especialmente nos dias mais frios ou chuvosos.

Galerie Saint-Hubert

Ao longo do corredor, você vai encontrar boutiques elegantes, livrarias charmosas, teatros clássicos, cafés aconchegantes e, claro, algumas das chocolaterias mais prestigiadas da Bélgica, como Neuhaus, Pierre Marcolini e Mary. Mesmo que a ideia não seja fazer compras sofisticadas, vale a pena entrar para admirar a arquitetura, observar as vitrines artisticamente decoradas e sentir a atmosfera aristocrática do local.

3. Conhecer o Manneken Pis, o menino fazendo xixi (e rir da sua fama)

Nenhuma viagem a Bruxelas está completa sem uma visita ao seu habitante mais ilustre e irreverente: o Manneken Pis. Trata-se de uma pequena estátua de bronze de apenas 61 centímetros, representando um garotinho fazendo xixi em uma fonte no cruzamento das ruas Rue de l’Étuve e Rue du Chêne.

Apesar de seu tamanho modesto — que costuma surpreender quem espera um monumento colossal —, o Manneken Pis é o maior símbolo do espírito bem-humorado, irônico e leve dos belgas. Existem diversas lendas locais sobre a sua origem, desde histórias sobre um menino heroico que salvou a cidade apagando o pavio de uma bomba com xixi, até contos sobre uma criança perdida encontrada por seu pai abastado.

Uma das tradições mais divertidas em torno da estátua é seu guarda-roupa. O Manneken Pis possui centenas de figurinos oficiais e frequentemente é vestido com trajes temáticos para comemorar datas históricas, homenagear profissões ou saudar países visitantes.

Dica extra: Se você gostar da experiência e quiser completar a “família”, saiba que a cidade também abriga a Janneken Pis (a versão feminina, escondida no beco Impasse de la Fidélité) e o Zinneke Pis (um simpático cãozinho de bronze erguendo a perninha em um poste na esquina da Rue des Chartreux).

Para conseguir uma foto sozinho com o Manneken Pis, vá antes das 9:00h da manhã, a cidade ainda está adormecida e não tem ninguém por lá. Depois disso, é impossível uma foto sem a companhia de muitos desconhecidos.

4. Comer waffle e descobrir qual o seu tipo favorito

Waffles em Bruxelas

Falar da Bélgica sem mencionar a sua gastronomia é impossível, e entre as maiores delícias locais está o tradicional waffle. Mas o que muita gente só descobre quando chega a Bruxelas é que não existe apenas “um” tipo de waffle belga, e sim duas versões bastante distintas e igualmente saborosas.

A primeira é o Waffle de Liège (Gaufre de Liège). Ele é mais denso, macio por dentro e tem bordas irregulares. O grande segredo dessa massa é a adição de cristais de açúcar perolado que derretem durante o preparo, criando uma casquinha caramelizada e crocante no exterior. É o tipo perfeito para comer puro, diretamente na mão, saindo quentinho do ferro.

A segunda opção é o Waffle de Bruxelas (Gaufre de Bruxelles). Este tem o formato retangular perfeito, uma massa muito mais leve, aerada e extremamente crocante por fora. Por ser menos doce na base, é tradicionalmente servido com uma generosa polvilhada de açúcar de confeiteiro ou acompanhado por toppings como morangos frescos, chantilly e chocolate belga derretido.

A melhor maneira de curtir esse clássico é comprar seu waffle em uma barraquinha de rua, sentir o aroma doce invadir o ar e ir saboreando enquanto explora a cidade. Não deixe de provar os dois tipos ao longo da viagem para decidir qual é o seu grande favorito!

Nós escolhemos a tradicional Maison Dandoy e pedimos os 2 tipos, eu preferi o de Bruxelas e Ricardo o de Liège, mas os dois são muito bons.

5. Mergulhar na cultura cervejeira e degustar rótulos variados

Se o café está para a Itália e o vinho está para a França, a cerveja é a verdadeira alma da cultura belga. A tradição cervejeira no país é tão rica, complexa e enraizada na história que foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

A variedade de estilos é impressionante: desde as famosas cervejas trapistas — produzidas há séculos por monges sob estritas regras em mosteiros — até as refrescantes Witbiers (cervejas de trigo), as frutadas Lambics e Geuzes (de fermentação espontânea, típicas da região de Bruxelas) e as potentes Dubbels e Tripels.

Para vivenciar essa tradição, você pode visitar os pubs históricos do centro, como o centenário A La Bécasse ou o famoso Delirium Café, conhecido mundialmente por sua carta com milhares de rótulos de todos os cantos do planeta.

Sentar em uma mesa de madeira rústica, pedir um copo apropriado para cada estilo de cerveja — sim, na Bélgica cada cerveja exige seu próprio formato de copo para realçar aromas e sabores — e degustar sem pressa é um dos rituais mais agradáveis e autênticos que a cidade oferece.

Nossa experiência foi no Poechenellekelder que fica na esquina do Manneken Pis, sentamos numa mesa, pedimos uma tábua de frios e experimentamos algumas cervejas belgas enquanto observávamos a multidão em frente ao menininho mijão tentando um espaço para tirar a foto.

6. Visitar a Catedral de São Miguel e Santa Gudula

Localizada no monte Treurenberg, dividindo o centro histórico e a parte alta da cidade, a Catedral de São Miguel e Santa Gudula (Cathédrale St-Michel et St-Gudule) é um dos edifícios religiosos mais imponentes e significativos de toda a Bélgica.

Construída entre os séculos XIII e XV em estilo gótico brabantino, a igreja impressiona à primeira vista por sua fachada imponente, marcada por duas torres gêmeas de 64 metros de altura que lembram, em escala e elegância, a estrutura da Catedral de Notre-Dame de Paris.

Catedral de Bruxelas

Ao entrar, a atmosfera de serenidade é combinada com uma riqueza artística notável. Destacam-se os belíssimos vitrais do século XVI, que filtram a luz do sol criando jogos de cores deslumbrantes no interior da nave central, o monumental púlpito de madeira entalhada em estilo barroco e o órgão majestoso instalado nas alturas.

A catedral abriga frequentemente eventos de relevância nacional e casamentos da família real belga. A visitação é gratuita e oferece um contraponto tranquilo e contemplativo em relação ao burburinho das ruas comerciais.

7. Caçar grafites e quadrinhos nos prédios (A Rota da Banda Desenhada)

Banda Desenhada

Bruxelas tem uma relação apaixonada com a arte sequencial. A Bélgica é a terra natal de ícones mundiais dos quadrinhos (ou Bande Dessinée, como dizem em francês), incluindo Tintim, Os Smurfs, Lucky Luke, Spirou e Marsupilami. E a cidade faz questão de celebrar esse patrimônio de uma forma incrivelmente criativa e integrada ao dia a dia.

Ao caminhar pelas ruas, olhe atento para o alto. Espalhados por fachadas de edifícios residenciais e comerciais em diferentes bairros, estão dezenas de murais gigantescos pintados por artistas renomados, retratando cenas clássicas e personagens dos quadrinhos belgas e franco-belgas. Essa iniciativa deu origem à chamada Rota da Banda Desenhada(Parcours BD).

Transforme sua caminhada em um jogo divertido: tente encontrar o famoso mural de Tintim descendo por uma escada de incêndio com seu cão Milu e o Capitão Haddock (localizado pertinho do Manneken Pis) ou descubra murais coloridos escondidos em becos pacatos. Essa galeria de arte a céu aberto dá uma jovialidade única às paredes antigas da cidade e garante fotos surpreendentes.

8. Relaxar e passear pelos jardins do Parque do Cinquentenário

Para um momento de pausa, contato com a natureza e um banho de história, o Parque do Cinquentenário (Parc du Cinquantenaire) é o destino ideal. Localizado no bairro europeu, este parque urbano monumental foi criado em 1880 pelo rei Leopoldo II para comemorar os 50 anos da independência da Bélgica.

O ponto focal do parque é o monumental Arco do Triunfo, uma estrutura impressionante encimada por uma quadriga de bronze representando a província de Brabante. O arco conecta dois imponentes complexos de edifícios em formato de semicírculo, que hoje abrigam museus renomados, como o Autoworld (dedicado à história do automóvel) e o Museu Real da História e da Arte.

O parque em si conta com extensos gramados verdes, alamedas arborizadas perfeitas para caminhadas, fontes e jardins bem cuidados. Em dias ensolarados, o local vira o ponto de encontro preferido de moradores e visitantes para fazer piqueniques, praticar esportes, ler um livro ou simplesmente relaxar ao ar livre admirando a arquitetura grandiosa ao fundo.

9. Surpreender-se com a estrutura futurista do Atomium

Saindo un pouco do centro histórico em direção ao norte da cidade, você encontrará um dos monumentos mais originais e futuristas da Europa: o Atomium. Criado originalmente como o pavilhão principal da Exposição Universal de Bruxelas de 1958 (Expo 58), o monumento foi projetado para simbolizar a fé no progresso científico e no uso pacífico da energia atômica.

A estrutura representa um cristal de ferro ampliado 165 bilhões de vezes. Com seus 102 metros de altura, o Atomium é composto por nove esferas gigantes de aço inoxidável conectadas por tubos com escadas rolantes e elevadores no seu interior.

Atomium
Vista de Bruxelas do alto do Atomium

A experiência de visitar o Atomium começa pelo lado de fora, onde suas formas reluzentes oferecem um contraste impressionante com o céu. No entanto, vale a pena entrar: cinco das nove esferas são acessíveis ao público e abrigam exposições temporárias e permanentes sobre a história do monumento e o design dos anos 50.

A esfera superior oferece um mirante panorâmico com uma vista em 360 graus inesquecível de toda a cidade e arredores. À noite, a estrutura ganha uma iluminação especial com centenas de luzes pisca-pisca, garantindo um espetáculo à parte.

10. Visitar o Bansky Museum

Bansky Museum Bruxelas

Localizado no coração da capital belga, no espaço de uma antiga fábrica têxtil perto da Place De Brouckère, o Banksy Museum (também conhecido por sua exposição The World of Banksy) oferece uma imersão abrangente no universo do misterioso e provocativo grafiteiro britânico. 

Com mais de 130 obras reproduzidas em tamanho real, o acervo traz instalações imersivas, murais de stencil e réplicas fiéis de peças icônicas — como Girl with Balloon e The Flower Thrower —, permitindo aos visitantes contemplar trabalhos que originalmente surgiram em ruas ao redor do mundo e que, em muitos casos, foram apagados ou destruídos ao longo do tempo.

Não resistimos e trouxemos de lá uma tela da Girl with Balloon.

Dicas práticas para curtir sua primeira vez em Bruxelas

Para que sua viagem seja perfeita e sem estresse, vale a pena ter em mente alguns detalhes práticos:

  • Locomoção fácil: Bruxelas é uma cidade extremamente agradável para ser percorrida a pé, especialmente na região central. Para distâncias maiores — como a ida ao Atomium ou ao Parque do Cinquentenário —, o sistema de metrô e bonde (tram) é eficiente, limpo e muito fácil de usar.
  • Melhor época para visitar: Da primavera ao início do outono (entre maio e outubro), a cidade fica mais alegre, com dias mais longos e cafés com mesas ao ar livre. O inverno também tem seu charme especial, principalmente durante o mês de dezembro, quando a cidade acolhe um dos mercados de Natal mais encantadores da Europa. Fomos no começo de outubro e achamos uma excelente época, friozinho gostoso, dias lindos de sol e sem chuva.
  • Onde ficar: Numa cidade com centro histórico com muito o que entregar, optamos por ficar por perto e isso Bruxelas tem. Na primeira parte de nossa viagem, ficamos no Studio Rempart, um apartamento muito bom, espaçoso a 900m da Grand-Place e na volta, escolhemos o Gotha Aparthotel.
Apartamento onde ficar em Bruxelas
Studio Rempart
Gotha Aparthotel
  • Idiomas: Bruxelas é oficialmente bilíngue (francês e flamengo/holandês), mas o francês é a língua predominantemente falada nas ruas. No entanto, por ser uma capital cosmopolita e sede internacional, você conseguirá se comunicar em inglês facilmente em hotéis, restaurantes e atrações turísticas.
  • Onde comer: Maison Dandoy (café/ lanche), Aux Mir Veilleux de Fred (café), Poechuellekelder (bar/ cervejaria), Meat Factory Belgium (boa carne no almoço ou jantar) e Le Pré aux Clercs (bistrô aconchegante e com excelente comida bem perto do Parque do Cinquentenário.
Aux Mir Veilleux de Fred

De carro pela Bélgica

Nessa viagem, resolvemos ver tudo que nos interessava na Bélgica, para isso alugamos um carro na saída de Bruxelas, seguimos viagem passando por algumas cidades pelo interior do país até chegarmos a Luxemburgo. Na volta ficamos mais 1 dia e meio em Bruxelas, entregamos o carro no aeroporto e seguimos para Portugal.

Foi uma experiência valiosa, as estradas belgas são maravilhosas, muito tranquilas. Nas cidades onde estivemos, deixamos o carro em estacionamentos privativos e passeamos a pé. O carro foi apenas para os deslocamentos nas estradas.

Bruxelas é esse destino acolhedor e cheio de personalidade que mistura sem cerimônia a elegância de seus palácios com a descontração de suas ruas. Seja apreciando a arquitetura da Grand-Place, saboreando um waffle quentinho ou descobrindo murais coloridos em uma esquina qualquer, a cidade convida você a desacelerar e aproveitar cada momento. Boa viagem!

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Cynara Vianna

Designer, casada, mãe de 3 filhos homens. Adoro crianças, culinária e viajar. Esse um dos maiores prazeres que descobri há algum tempo atrás e que hoje tornou-se meu vício. Uma das minhas últimas descobertas foi escrever. Comecei um blog para ter ‘com quem’ desabafar e descobri um grande prazer, contar minhas experiências, descobertas, passar dicas, sempre de coisas vivenciadas por mim. E assim, estou sempre em busca do novo!

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